A arte é ponte que conecta almas

CLÁUDIA MOREIRA

2025

A arte conta sempre uma história e, por isso, é uma maneira de conexão. Quando existe a ligação entre o sentimento expresso pelo artista e a alma do apreciador, a comunicação é imediata. Os muros que separam os mundos do emissor e do receptor são derrubados instantaneamente e o que se estabelece é uma forte sintonia e até um entendimento da linguagem da obra, qualquer que seja ela. As pinceladas de Igor Baldez mexem com algo interno, nossas estruturas, porque demonstram uma sensibilidade que convida o observador a entrar no universo dos povos originários, resgatando memórias, tradição e trazendo a pujança de toda uma ancestralidade. 

O interessante é que o resgate ancestral não vem de um realismo fotográfico. Pelo contrário. As cores, os contornos, as sombras e a luz mostram uma expressividade que prioriza a cena e não a reprodução fiel dela, como acontece na pintura clássica. As referências indígenas despertam reflexões e geram curiosidade sobre o viver dos povos originários, sua cultura e suas emoções. De novo, falamos de conexão. O cordão invisível que nos liga ao começo de tudo, à natureza, à terra, à simplicidade. É a história sendo contada por meio de cores.

A palavra conexão está embutida na obra de Igor Baldez. Não só nos quadros. O jovem artista e também designer gráfico tem uma curiosidade e uma habilidade criativa que vão além das pinceladas. Ele faz cerâmicas, borda, grafita paredes, embeleza prédios em cima de cadeiras suspensas, arrisca-se nas xilogravuras e esculturas. Por meio de seus multitalentos, Baldez imprime a busca pelas próprias raízes, construindo pontes que fazem a ligação entre presente e passado, em um caminho próprio de entendimento da cultura indígena. 

Sem dúvida nenhuma, as mãos que pintam, que modelam, que criam ou bordam contam histórias. E a partir daí, conectam almas, sentimentos que não precisam de palavras para serem compreendidos. A emoção se liga à sensibilidade e a comunicação se realiza. Coração a coração. Alma com alma. A arte tem dessas coisas. Conecta sem querer. Igor Baldez, com sua singeleza e conhecimento técnico, consegue também, sem querer, nos aproximar do ancestral que habita em nós.

*Cláudia Moreira é jornalista especializada em Desenvolvimento Sustentável e mestre em Escrita Criativa.