"A arte é uma batalha de se manter estrategicamente rebelde, já que as autonarrativas são um privilégio para poucos. Achar um jeito de penetrar na epistemologia a partir de uma autonarrativa é uma contra-narrativa, uma prática decolonial."
— Jaider Esbell
Baldez trabalhando em seu ateliê | 2024
Foto: Matheus Nobre
2026
Minha pesquisa artística parte da minha vivência como artista indígena, vivendo entre a ancestralidade e a experiência na cidade. A dualidade e a dificuldade de transitar entre dois mundos. Meu trabalho investiga questões de pertencimento, memória, identidade e apagamento cultural, buscando aproximar conhecimentos cosmológicos e tradicionais de linguagens da arte moderna e contemporânea. Tenho interesse especialmente nessa relação entre o que considero ancestral, primitivo e cosmológico e as possibilidades desses temas na pintura.
Também existe uma dimensão política nesse processo, principalmente na forma como os povos indígenas foram historicamente representados por artistas e pesquisadores não indígenas. Ao retratar meu próprio povo, seus corpos, seus traços, seus conhecimentos e sua espiritualidade, procuro construir imagens a partir de um lugar de pertencimento, valorizando também a beleza e a diversidade dos fenótipos indígenas que tantas vezes foram apagados ou associados a estereótipos e conotações negativas.