Igor Baldez e sua Construção Contemporânea do Ser Artístico
MINA TEIXEIRA2026
Igor Baldez se apropria dos ensinamentos acadêmicos da arte, partindo de um autodidatismo, para criar obras que representam sua ancestralidade, suas memórias e suas vivências, efêmeras e constantes. Se partirmos de uma leitura visual de suas obras, principalmente as da coleção “Raízes”, podemos relacionar seu estilo, a forma como destaca suas figuras, a um modernismo a lá Vicente do Rego Monteiro. No entanto, Baldez (in)diretamente subverte essa acepção modernista e cria obras cujos personagens principais se fazem na construção de seu EU, destituindo-se do outro distante. Partindo de seus retratos, podemos ver de onde essa construção contemporânea do ser artístico nasce: Baldez experimenta o fazer a partir de diferentes vanguardas, técnicas e pinceladas, criando por fim sua própria identidade artística, sendo essa feita de contornos bem demarcados, a areia como complementação de sua pintura, o que retoma essa quebra contemporânea com as convenções técnicas academicistas, além de suas cores. Em sua nova série “Yuku Mahsã”, Igor serve-se da cor para delimitar espaços e criar sobreposições de símbolos, tratando de uma narrativa em que o ser humano, a natureza e a ancestralidade se entrelaçam. Por fim, vivendo em uma expansão do Brasil das feiras de arte, Bienais, exposições e etc., acredito que a arte de Igor Baldez vai muito além de sua capitalização. Ao acompanharmos pelas suas redes, podemos perceber que sua produção entra em um estado de frenesi saudável, criando arte pela arte, arte pelo estudo. Além disso, há claramente a possibilidade de venda das suas telas, afinal vivemos em um mundo capitalista, mas não podemos negar que estar em um constante estado de produção o coloca em um constante estado do ser artístico, e é isso que eu acredito que torna sua arte mais significativa, há uma unicidade entre ser e o ser artístico, e Baldez assume isso com maestria.